Re-xistência
Existir e ter noção tanto da ação, assim como do fim desta ação me açoita o peito. Mais do que isso, ter a coragem de existir não somente pelo simples fato de se encontrar nesta situação além de saber que estou vivo e que morrer pode não ser apenas carnal. Para morrer basta bem menos que estar vivo – ao pé da letra. Justo quem na juventude esteve vivo de verdade hoje pode estar velho e falecido sem ter passado um ano. Ele apenas parou. Parou rodou, rodou e rodou mantendo-se no mesmo lugar como se um compasso inteiro pudesse tirá-lo da inércia. E ainda em chamas, pode estar a alma de quem mesmo em cova se mantém em movimento multidirecional. Sem parágrafos, conciso me mantenho para não perder o fio da meada na dinâmica. E nó por nó se trançam fios que se transformam em casacos e mantas nas mãos de quem não pára. Cada nó acompanha seu vizinho de mãos dadas com muita força cobrindo o corpo em movimento sem se abrirem, protegendo o peito do vento.
Gustavo Paiva Queiroz

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