19 de março de 2007

Insônia

Que tipo de olho é esse o meu que não fecha?

Afeta anima a tediante noite

Antes não quisesse fechá-los - penso eu -

E lá se vão por água abaixo horas de tentativas

Levanto e vou até a cozinha

Derrepente a cachaça desemperra essas engrenagens oftalmológicas

O complemento de passas lhe davam um quê de vinho do Porto

Dos que vêem esquentando o peito

Num gole de inspiração

Passo da inquietação para a conformação e vice versa

Afrontando o final de noite, praticamente perdida entre o travesseiro e a televisão

Me encorajo com um papel e uma caneta na mão

Refletindo o que há na ambigüidade, na diferença que se faz ou não se faz

Nas disparidades do mundo dialético

Desperto dormindo

Norte nordeste Sul sudeste

No meio de tudo e longe de todos, no limite do perto inalcançável, o centro-oeste

E não vejo a hora do alvorecer azul de escuro a claro

O estopim de quem acorda de um sono profundo

E não prega os olhos até a próxima insônia

Gustavo Paiva Queiroz

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