Insônia
Que tipo de olho é esse o meu que não fecha?
Afeta anima a tediante noite
Antes não quisesse fechá-los - penso eu -
E lá se vão por água abaixo horas de tentativas
Levanto e vou até a cozinha
Derrepente a cachaça desemperra essas engrenagens oftalmológicas
O complemento de passas lhe davam um quê de vinho do Porto
Dos que vêem esquentando o peito
Num gole de inspiração
Passo da inquietação para a conformação e vice versa
Afrontando o final de noite, praticamente perdida entre o travesseiro e a televisão
Me encorajo com um papel e uma caneta na mão
Refletindo o que há na ambigüidade, na diferença que se faz ou não se faz
Nas disparidades do mundo dialético
Desperto dormindo
Norte nordeste Sul sudeste
No meio de tudo e longe de todos, no limite do perto inalcançável, o centro-oeste
E não vejo a hora do alvorecer azul de escuro a claro
O estopim de quem acorda de um sono profundo
E não prega os olhos até a próxima insônia

Um comentário:
odio ter insônia.
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