1 de fevereiro de 2007

Exorcismo

Mutila do corpo aquilo que está mais entranhado na alma

Do que se mais me apego e reproduzo

E me pego sem perceber perdendo

Perco a criatividade para criar o novo


Não lançar mais mão de desculpas do passado

Assombrando meu presente

Nada mais me quero pegar fazendo

O que um pai já me fez


E o antigo pai me assola no peito

Toma-me o coração de raiva e venda meus olhos

Para o possível novo

Para o impossível contrario do fato


Criar meu mundo é tarefa só pra quem, do passado e para ele, não corre de frente

E enxerga no futuro aspirações suas

Somente de quem é sem venda

Desvendado então o Ser que só pode então ser um único


E exorcizado o Ser que agora pode ser outro

Um e outro

Nenhum nem outro

Um


Gustavo Paiva Queiroz

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