Exorcismo
Mutila do corpo aquilo que está mais entranhado na alma
Do que se mais me apego e reproduzo
E me pego sem perceber perdendo
Perco a criatividade para criar o novo
Não lançar mais mão de desculpas do passado
Assombrando meu presente
Nada mais me quero pegar fazendo
O que um pai já me fez
E o antigo pai me assola no peito
Toma-me o coração de raiva e venda meus olhos
Para o possível novo
Para o impossível contrario do fato
Criar meu mundo é tarefa só pra quem, do passado e para ele, não corre de frente
E enxerga no futuro aspirações suas
Somente de quem é sem venda
Desvendado então o Ser que só pode então ser um único
E exorcizado o Ser que agora pode ser outro
Um e outro
Nenhum nem outro
Um

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