Fantasmas Urbanos
No centro da pólis cheio
Em todo o canto o mau cheiro
Multidão corre e corre
No tempo sem tempo
Onde vale cada momento
Trabalhador vigia trabalhador
Se move o trator,
Mais barulho faz o motor
- Que?
- Esquece...
A cena que aparece
Um corpo estendido no chão
Foi dar uma de machão...
Não existe mais homem forte
- Será?
Bala achada ou perdida
Bela capa de jornal
Entregue antes do sol matinal
Na porta do pequeno burguês
Que lê a pseudonotícia,
Tomando seu pseudocafé,
Vivendo sua pseudovida,
Regrada a burocracia
E seguida por toda a burguesia.
A juventude perdida
Não sabe se rumina ou se raciocina
Trim! Trim! Trim!
São sete da matina,
Segunda-feira
Se ajuste a rotina.
Gustavo Paiva Queiroz

Um comentário:
Esse poema mexe muito com meus sentimentos revolucionários. Foi escrito em um dia especial - na verdade numa noite especial. O momento era de pura revolta com o continuismo da vida burguesa na qual estou inserido
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