30 de janeiro de 2007

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente


E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm


E assim nas calhas da roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.

Fernando Pessoa

Um comentário:

Gustavo disse...

Impressionante como ler Fernando pessoa me faz sentir com mais intensidade o que em parte não viví